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Ewert H. Cousins

Parecer sobre toda obra artística

Bonaventure and the Coincidence of Opposites

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Todo artífice, todo operário, todo produtor — bem como todo filósofo, ao formar e expressar seus pensamentos em ideias e em palavras — participa da Arte do Pai na criatividade da geração do Filho. Como o título da obra [De reductione artium ad theologiam] sugere, Boaventura emprega a clássica reductio medieval, que, diferente da sua contraparte moderna, não significa nenhuma desvalorização, mas, antes, um retorno desde um objeto concreto ou desde uma atividade até o seu fundamento em Deus. Quando o artesão elabora o seu produto, aí ele está participando da criatividade trinitária.

Portanto, para Boaventura o artesão não está apenas copiando formas arquetípicas localizadas na mente divina; na verdade, ele está criando algo totalmente novo, não em separação, mas em conjunção com a divina fontalis plenitudo (plenitude da fonte). Numa via da exemplaridade, a ideia criativa do artesão retorna ao seu modelo ideal, presente na mente divina. Porém, noutra via, o artesão participa da fecundidade primordial do Pai. Com o Pai o artesão não participa apenas da criação do objeto externo, mas também da geração dos arquétipos no Filho. Assim, da forma mais profunda o artesão participa de uma novidade que transcende a sua atividade isolada, pois o seu ato criativo participa da eterna novidade da geração divina.

Publicado por Igor em 13 de abril de 2026