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Egídio Romano

De que modo no amor de Deus e no exercício da prudência deve ser posta a felicidade

De regimine principum

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Duas felicidades o Filósofo estipula: uma é política; a outra, contemplativa. Ele, porém, não quis que a felicidade estivesse nas forças ou nas potências da alma, pois estas não participam apenas do bem, mas também do mal; nem quis que estivesse nos hábitos, pois quem tem o hábito e não o exerce é semelhante ao homem que dorme: quando os homens dormem, não se discerne entre eles os felizes dos miseráveis, como notou o Filósofo no Livro 1[?]¹ da Ética. Portanto, no exercício ou na operação da alma deve ser posta a felicidade; não no exercício do vício, mas no da virtude; e não no de qualquer virtude, mas no da virtude perfeita. A felicidade, portanto, (como se diz no Livro 1 da Ética) é a operação da alma segundo a virtude perfeita. Como, porém, a virtude perfeita na vida política é, de acordo com o Filósofo, a Prudência, e na vida contemplativa é a Sapiência, ou Metafísica, então quem quer que saiba bem conduzir os outros segundo a Prudência é o bom político, e quem quer que saiba bem especular segundo a Metafísica é o bom contemplativo. Destas duas felicidades ele também fez menção. Delas, uma é dita no Livro 1 da Ética ser a felicidade política; a outra é dita no Livro 10 ser a felicidade contemplativa. Inquirir qual das duas representa a verdadeira posição do Filósofo não é o propósito da presente especulação. Contudo, para que se revele como convém à régia majestade [i. e., o príncipe] colocar a sua felicidade no exercício da prudência, deve-se saber que, acima de tudo, lhe convém colocar no próprio Deus a sua felicidade, ao que podemos chegar por três vias. Pois o regente é homem, é ministro de Deus e é regulador das multidões [...]

¹ O PDF de onde a citação foi traduzida não tem nítido o texto, mas Egídio parece referir-se mesmo ao Livro 1 da Ética a Nicômaco (1905b-1906a), no qual se vê o Filósofo afirmar o seguinte:

Poder-se-ia mesmo supor que a virtude, e não a honra, é a finalidade da vida política. Mas também ela parece ser de certo modo incompleta, porque pode acontecer que seja virtuoso quem está dormindo, quem leva uma vida inteira de inatividade, e, mais ainda, é ela compatível com os maiores sofrimentos e infortúnios. Ora, salvo quem queira sustentar a tese a todo custo, ninguém jamais considerará feliz um homem que vive de tal maneira.

Publicado por Igor em 29 de abril de 2026