Fulcanelli
Chrysophoros: O hieróglifo do enxofre e a matéria escondida
O Mistério das Catedrais
I, IX
São Cristóvão, cujo nome primitivo, Offerus, nos é revelado por Jacques de Voragine, significa, para a massa, o que transporta Cristo (do grego Χριστοφόρος); mas a cabala fonética descobre um outro sentido, adequado e conforme à doutrina hermética. Diz-se Cristóvão em vez de Crisofo, o que transporta o ouro (Χρυσοφόρος). A partir daí, compreende-se melhor a alta importância do símbolo, tão eloquente, de São Cristóvão. É o hieróglifo do enxofre solar (Jesus) ou do ouro nascente, levantado sobre as ondas mercuriais e elevado, seguidamente, pela energia própria desse Mercúrio, ao grau de poder que o Elixir possui. Segundo Aristóteles, o Mercúrio tem como cor emblemática o cinzento ou o violeta, o que basta para explicar a razão por que as estátuas de São Cristóvão estavam revestidas de uma capa da mesma cor. Certo número de velhas gravuras conservadas no Gabinete das Estampas da Biblioteca Nacional e representando o colosso foram executadas com traço simples e com tinta bistre. A mais antiga Data de 1418.
Em Rocamadour (Lot) vê-se ainda uma gigantesca estátua de São Cristóvão, elevada sobre o planalto Saint-Michel, que precede a igreja. Ao lado, nota-se um velho cofre ferrado sobre o qual se encontra, cravado na rocha e preso por uma cadeia, um tosco fragmento de espada. A lenda afirma que este fragmento pertenceu à famosa Durandal, a espada que o paladino Boland quebrou ao abrir a brecha de Roncevaux. Seja como for, a verdade que se desprende destes atributos é muito transparente. A espada que abre o rochedo, a vara de Moisés que faz jorrar a água da pedra de Horeb, o cetro da deusa Reia com o qual golpeia o monte Dyndimus, a lança de Atalante são um único e mesmo hieróglifo dessa matéria escondida dos Filósofos, de que São Cristóvão indica a natureza e o cofre ferrado o resultado.