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João Ameal

Desconstrução da identidade portuguesa

História de Portugal

Prólogo

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[...] Diz algures Bergson que deseja nos seus livros dar ao público a alegria "de prendre contact avec une âme vivante". A obra escrita ganha assim outro poder de comunicação e de sugestão. Longe de se prejudicar com isso, a verdade — filosófica ou histórica — adquire maior projeção humana. Eis o que levou decerto José Maria Pemán a gravar, na abertura de uma História de España destinada às escolas do seu país, esta bela afirmação: — "el apasionamento no es enemigo, sino aliado de la verdad, como el calor lo es de la luz".

Tanto mais que, durante muito tempo, escreveu-se com paixão — no sentido contrário! Com paixão, e sem escrúpulo, mais: com uma espécie de sadismo negativista e demolidor. Nesse período negro, não se fez — desfez-se a História de Portugal. Repudiaram-se ou contestaram-se as fundas razões da nossa jornada de povo crente e guerreiro. A obra de apostolado foi convertida em obra de cobiça e de rapina. As figuras dos Reis foram amesquinhadas com rancorosa sanha. A vida duma Nação que deveria explicar-se à luz dos Evangelhos dos Roteiros e das Crônicas — foi escrita à luz da Declaração dos Direitos do Homem e da teoria do materialismo histórico. Assim se falsificou, se corrompeu o passado português — e tal a influência do passado que, uma vez corrompido e falsificado ele, muitos portugueses se falsificaram e corromperam. O declínio nacional acelerou-se — resultante das interpretações pessimistas, dos ferozes sarcasmos, das absurdas diatribes com que se nos estancava a maior fonte de energia: a confiança em nós próprios. Como represália e desafronta, basta-nos restabelecer a verdade ofendida; logo a confiança voltará.

Publicado por Bruno em 30 de abril de 2026