O psiquiatra substitui o padre
Science moderne et sagesse traditionelle
O psiquiatra substitui o padre e a obliteração dos instintos reprimidos serve de absolvição. Na confissão sacramental, o padre é somente o representante impessoal — e, portanto, vinculado ao sigilo — da Verdade divina, que ao mesmo tempo julga e perdoa. Ao confessar os seus pecados, o pecador transforma as tendências que os sustentam em alguma coisa que já não é mais "ele mesmo". Ele as "objetifica". Arrependendo-se, livra-se delas; recebendo a absolvição, sua alma reencontra seu equilíbrio inicial, centrado no eixo divino. No caso da psicanálise freudiana, por outro lado, o homem desnuda as suas entranhas psíquicas não diante de Deus, mas diante do seu próximo. Ele não se afasta dos fundos caóticos e obscuros de sua alma que a análise lhe revela, mas, pelo contrário, se apropria deles, pois há de dizer para si mesmo: "É assim que eu sou, na verdade". E, se não chegar a ultrapassar essa desilusão aviltante graças a alguma influência salutar, ainda se conservará desse processo como que uma mancha interior. Na maior parte dos casos, ele tenta salvar-se mergulhando na mediocridade psíquica da multidão, pois suportamos melhor o nosso próprio aviltamento ao compartilhá-lo com outrem. Qualquer que seja a ocasional e parcial utilidade de uma tal análise, o seu resultado é geralmente esse, dadas as premissas de que ela parte.
Fonte
Titus Burckhardt
Science moderne et sagesse traditionelle
Responsável: Igor Montez
Tradução
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